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CRITICAS SOBRE OS CENTROS

  • "Os centros são uma solução artificial."

Nada é simples. Certos organismos, em particular "Juventude e Ação", que dependem de "Enda Tiers Monde", são violentamente contra o alojamento das crianças de rua e pensam que seria melhor ocupar-se delas na rua mesmo.
O debate está aberto, mas seria necessário que isso não se torne uma disputa ideológica da qual as crianças sejam as vítimas.
O que se deve fazer ? É necessário abrigar as crianças de rua em ruptura com suas famílias ?

Nos anos 80, as crianças de rua no mundo tinham quatorze ou quinze anos. O problema do seu alojamento não existia, pois essas crianças sabiam se virar sozinhas. O que elas precisavam era de conselhos para se organizarem, ou uma formação profissional.

Hoje, as crianças de rua têm entre sete e doze anos : quais são as soluções ?

- A solução do tipo orfanato-instituição. Esta idea nao e desejabel sendo que os resultados nao corresponden sempre as esperas.
- O defeito da solução tipo aldeia das crianças, onde tudo é fornecido como numa família burguesa do país : primeiro, ela custa muito caro; e sobretudo, é dramático quando a criança, ao atingir a maioridade, deve deixar essa instituição protetora e adaptar-se às novas condições de vida sem conforto.
- A adoção chegaria muito tarde para essas crianças, já acostumadas a viverem como se fossem adultas.
- Todos os especialistas estão de acordo para dizer que a melhor solução é a volta à família.

Mas quando não existem outras soluções, quando a criança é ainda pequena, que tem menos de quinze anos, que continua uma criança, achamos que seria perigroso propor-lhe uma simples animação na rua, dizer-lhe que não podemos nos ocupar dela quando podemos fazê-lo ! Dizer-lhe que sai muito caro, quando podemos salvá-la por menos de cem dólares por mês.

Isso somente um centro de tipo familiar de dez a doze crianças pode lhe oferecer. Ela quer aquilo a que tem direito :

Ela quer aquilo a que tem direito :

- Um adulto que se interessa por ela.
- Um teto.
- Comida.
- Um futuro e uma formação.

Estes são os objetivos simples do projeto.

  • "É muito caro !"

Primeiramente, isso precisa ser provado.

O custo de um centro é o mesmo de uma família da periferia, mais o merecido salário do jovem animador e daquela que,bem mais de uma simples cozinheira, é para esses pequenos uma presença feminina indispensável.

Em seguida, este método salva as crianças.

  • "O sucesso dos primeiros projetos não garante o dos outros."

    • O projeto permitirá de conhecer de um modo privilegiado as causas da partida dessas crianças e de buscar soluções. E ainda mais, se ajudarmos as crianças assim que chegarem na rua, temos mais chances de ajudá-las a voltar para casa. O número necessário de centros de tipo familiar então diminue.

    • "Porque os políticos nunca vão permitir a realização de um tal projeto."
      É verdade que não podemos ir contra a opinião dos políticos, da polícia ou da justica. É verdade que esses responsáveis não apreciam que sejam publicados os problemas sociais ou econômicos causados pelas crianças de rua.
      Mas nós pensamos que o grande medo das autoridades desses países são os movimentos sociais violentos e se conhece o papel dos jovens nessas rebeliões, inclusive de alguns muito novos. Atualmente, ocupar-se das crianças de rua é um fator de segurança pública.

    • "Porque os primeiros projetos nasceram em cidades relativamente médias, ainda preservadas da violência e da delinqüência; a realidade das grandes cidades é completamente outra."
      Pode ser verdade, mas uma coisa é certa : em Abidjan, Ho Chi Min Ville ou Port au Prince, existem pelo menos dez ou doze crianças que poderiam ser salvas por esses centros. Para elas já seria muito bom. Nós não temos certeza de que isso não interessaria, pouco a pouco, todas as crianças de rua da cidade, mesmo as mais difíceis. Nós acreditamos que em todo lugar no mundo e em toda circonstância, cada criança precisa primeiramente de afeição.
      A realidade é diferente segundo o país. Não existem soluções prontas, mas simplesmente alguns princípios que devem ser respeitados.
Creada el 5 de março 2005 - Atualizada no dia 21 de novembro 2008