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COMO SALVÁ-LOS ?
Para resolver definitivamente o problema, certamente seria melhor prevenir,
evitar que novas crianças caiam na rua. Enquanto este trabalho não
é feito, é preciso salvar as que já estão na rua.
Como na medicina, é uma estupidez opor prevenção aos
cuidados, hospital à vacinação.
Numerosas experiências em Accra, Rio, Bogota, Guatemala City, Budapest
como em Manilha. Em Calcutá o em Moscou, confirmam o que dizem hoje
muitos especialistas : pode-se salvar as crianças de rua, todas
as crianças de rua ; é uma simples questão de
vontade política.
Para salvar as crianças de rua poucos meios são necessários.
Os projetos mais caros não são necessariamente os melhores.
Por que as crianças de rua ?
Porque é insuportável saber que existem crianças, e
algumas pequenas, que vivem e morrem na rua.
Ajudar essas crianças a sair da rua, para nós e muitos outros,
é um combate. Ele começa a ter alguns progressos. Através
de pequenas ações, a vida das crianças de rua volta ao
normal.
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Muitos reponsáveis
de programas em favor das crianças de rua, vindos de todas as
regiões do mundo, reuniram-se em Rufisque, no Senegal, em 1995.
Essas pessoas, enriquecidas por suas experiências, tentaram definir
alguns princípios fundamentais que devem ter em mente aqueles
que querem ajudar as crianças de rua.
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* Estratégia possivel
* E as meninas ?
Uma estratégia possivel
A primeira etapa consiste em conhecer bem o ambiente da rua. Um estudo sociológico,
mesmo perfeito, nunca responderá a essa necessidade. Assim que aparece
um problema social, a tentação dos políticos é
de pedir uma análise. Isto custa caro e é, muitas vezes, inútil.
Na verdade, encontrar homens ou mulheres, jovens ou não, que se interessem
profundamente pela causa das crianças de rua, é isso que é
primordial.
O primeiro trabalho é de procurar as crianças de rua que realmente
não têm família. No início, este trabalho pode
ser longo, pois, as crianças se esquivam e não se deixam facilmente
abordar.
Mas uma vez que nasce a confiança recíproca, e se não
as trairmos, podemos fazer juntos um longo caminho.
É necessário que prestemos atenção para não
chegar até elas como auxiliares da polícia ou da justiça,
ou cúmplices de pessoas das quais elas fogem.
| Porém, se para entrar no mundo dessas crianças,
fecharmos os olhos para os seus latrocínios ou delitos, dizendo-lhes
: "Eu não sou policial, isso é seu problema",
é necessário, entretanto, prestar atenção
para não nos tornarmos cúmplices. É sempre muito
importante mostrar-lhes que não estamos de acordo.
Esse trabalho na rua deve ser feito em colaboração com
as outras ONGs especialistas na saúde, na infância, no
trabalho infantil, na droga ou na prostituição, se elas
existem.
Um trabalho que não começasse depois de uma longa experiência
na rua, estaria destinado a fracassar. Se faz pouco tempo que conhecemos
as crianças de rua, provavelmente elas farão coisas capazes
de colocar em perigo a existência do projeto.
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- Um lugar de escuta 24h/24h.
A criança de rua é como um pássaro que quer verificar
que ele não está na gaiola. Para conhecê-la melhor, propomos
um lugar aberto onde ela se sente em casa. Este lugar não é
longe de onde ela vive, no centro da cidade.
Para cativá-la, tentamos responder às suas NECESsidaDES IMEDIATAS.
Propomos-lhe um lugar onde ela pode cuidar-se, tomar banho e levar a sua roupa,
guardar o seu dinheiro com toda segurança, sem ser roubado pelos maiores.
Sobretudo, um lugar onde ela pode falar com um adulto que a aconselha como
um amigo.
Primeira dificuldade, primeiro contato com a criança : ela pode ser
uma drogada, mas não deve trazer a droga para o centro de escuta ;
ela pode roubar, mas não pode trazer objetos roubados.
O Centro de Escuta é um lugar privilegiado onde se procura fazer a
criança voltar para a família, se isso é possível.
O risco é de atrair a este lugar crianças que não são
de rua, de favorecer as fugas ou de tirar de casa todas as crianças
da periferia. O lugar de escuta deve ser muito simples. Não deve ter
cama ; uma simples esteira é suficiente. Para evitar os efeitos perversos,
faz-se atenção para não dar comida, nem presentes. A
criança que fugiu desanima rapidamente.
Porém, o que a criança de rua mais teme é a noite. Para
responder a essa necessidade de segurança, "o lugar de escuta"
é igualmente "dormitório de urgência". É
tarde da noite que a criança se confia. É durante a noite que
se vê se ela vive verdadeiramente na rua sem família. O que se
aprende nesses momentos vale todos os estudos.
Para as crianças muito pequenas, para aquelas que são "crônicas"
no centro de escuta e que não podem mais suportar a rua, propõe-se
a entrada num centro de observação. Aí elas poderão
dormir e receber um mínimo de alimentação durante alguns
meses, o tempo necessário para preparar a volta à família.
E se isso é verdadeiramente impossível, propõe-se a entrada
num pequeno centro de tipo familiar.
- O centro de tipo familiar.
Propõe-se à criança de rua de juntar-se aos seus amigos
num pequeno centro de tipo familiar, quando ela sente necessidade e faz o
pedido, quando verdadeiramente ela não pode retornar à família,
ou a um outro lugar de solidariedade natural.
Foram as crianças que criaram esses centros dos quais devem permanecer
as responsáveis. Elas organizam a vida do seu centro.
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As crianças definiram
as três regras fundamentais dos centros
:
- Não roubar.
- Não drogar-se.
- Não mentir. |
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Para preservar esse aspecto de vida familiar que a criança sem família
tem tanta necessidade, evita-se absolutamente de ter mais de doze crianças.
O adulto que vive com elas não é um pai, mas um irmão
mais velho, um conselheiro, um amigo.
A presença de uma cozinheira é muito importante. Não
para cozinhar, pois as crianças poderiam fazê-lo. Mas para ser
uma presença feminina neste mundo que sofreu a ausência de uma
mãe.
Nesses centros, como em toda família, a criança tem um abrigo,
é nutrida e vestida. Mas presta-se atenção para não
criar necessidades. O conforto deve ser o mínimo, o mesmo que a criança
terá mais tarde quando será adulta.
Se ela fizer o pedido, a criança será alfabetizada e receberá
uma formação profissional. A escolaridade é fundamental.
Nunca perdemos de vista que a criança veio espontaneamente. Se ela
deseja partir, ninguém vai procurar segurá-la.
(Carta do Rufisque).
Se é necessário aplicar sanções, ainda são
as próprias crianças que se organizam. Certos centros até
criaram um tribunal no qual o presidente e o advogado são crianças
e o promotor: o educador.
Igualmente, nós prestamos atenção para não marginalizar
a criança e procuramos integrá-la na vida das outras crianças.
Quando conhecemos a família e que não existe perigo moral,
fazemos tudo para que a criança volte uma vez por semana. Esperamos
assim preparar progressivamente a sua volta definitiva. Damos à criança
um pouco de dinheiro para que ela não seja tentada à roubar
novamente.
Um CURSO SUPLETIVO oferece a possibilidade de fazer o primário em dois
ou três anos.
- Os quartos dos jovens trabalhadores.
Apesar do conforto simples, nós tínhamos medo de ter criado
uma dependência e que as crianças não nos deixassem mais.
Felizmente, aos dezesseis anos, elas pedem um pouco mais de independência.
Os adolescentes, em grupos de dois ou três, alugam um quarto na cidade.
Nós fazemos com elas um contrato simples que pode ser adaptado dependendo
do caso. Se a criança faz um curso profissional ou o ginásio,
nós lhe damos uma pequena pensão para viver, pagamos a metade
do aluguel, mas com a condição de que ela leve à sério
os seus estudos. Senão, nós cortamos a ajuda e, algumas vezes,
é duro para a criança e para nós também. Cada
uma deve ser responsável por si mesma, deve se virar sozinha.
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No final de dois ou três anos, progressivamente,
nós paramos de ajudá-la financeiramente ou materialmente.
Curiosamente, é nesse momento que a antiga criança de
rua vem mais facilmente nos ver e se confiar a nós. Muitos mistérios
sobre o seu passado, normalmente os mais duros a contar nos são
então revelados. Nossas relações se tornam gratuitas.
A antiga criança de rua compreende, então, que nós
nunca deixaremos de lhe oferecer nossa amizade.
Normalmente ela não tem nenhum problema para encontrar trabalho.
Eles são tidos como inteligentes, bem formados e honestos.
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Hoje, eles são carpinteiros, motoristas, soldadores, pescadores,
mecânicos, tapeceiros, demonstrador em informática... Outros
tiveram a coragem de voltar ao campo... Outros, enfim, preferem continuar
os estudos e têm uma grande ambição. Alguns parecem ter
a vocação para se tornarem, mais tarde, educadores.
E as meninas ?
| 10% das crianças de rua são meninas, menos
à Bangkok, onde por razões conhecidas,elas são
70%. Em muitos países, esse número tem tendência
a aumentar. Normalmente, elas se vestem como os meninos antes da adolescência
para não serem incomodadas. Mesmo bem pequenas, elas são
praticamente sempre vítimas da prostituição.
Praticamente em todos os lugares do mundo, a menos que haja erro de
nossa parte, os programas em favor das meninas que vivem nas ruas sem
família fracassam, com exceção de Manilha, Guatemala-City
e Dakar.
Pode-se perguntar por quê.
A prostituição não explica suficientemente o
problema, pois uma grande parte dos meninos também é vítima
dela. Talvez as meninas o esconderiam menos.
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A primeira pergunta, talvez, seria :
- Por que as meninas caem menos na rua ?
- Ela seriam mais necessárias nas suas famílias ?
- Elas seriam retidas por suas mães ?
A ruptura com a família, se ela acontece, torna-se então mais
profunda, definitiva. A questão merece ser examinada.
Nós conhecemos muitas meninas que vivem na rua. Algumas vezes, cuidamos
delas. Quando lhes perguntamos por que recusam a solução dos
"centros de tipo familiar", elas, muitas vezes, respondem : "Eu
nunca poderei me casar se souberem que vivi na rua." Paradoxalmente,
o seu futuro estaria definitivamente comprometido se nos ocupássemos
delas.
Pode-se admitir que um menino tinha feito asneiras, mas não uma menina.
Este parece ser um ponto comum à quase todas as culturas do mundo.
Isso explica porque os poderes públicos, na Mauritânia, não
querem assumir o problema e nos proíbem de nos ocuparmos das meninas.
Como os meninos fizeram, as menininhas de rua encontrarão sozinhas,
um dia, uma solução para os seus problemas. Será necessário,
então, estar aí para ajudá-las.
 Atualizada no dia 21 de novembro 2008
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